Num regresso a um passado recente, o ex-árbitro Artur Soares Dias explica no Final Cut como lidava com os ambientes hostis, as decisões difíceis e os jogadores mais “exigentes”. “A primeira vez que o Hjulmand tentou… disse-lhe: ‘não vale a pena’”, conta, recordando a relação com o médio dinamarquês do Sporting. Numa conversa naturalmente marcada pelo tema arbitragem, ASD fala na importância do vídeo-árbitro, ressalvando que, contudo, há muito por fazer. “O VAR é um Ferrari muito difícil de conduzir”. Falando de memórias, o antigo juiz internacional elege um dos momentos que mais o marcou, e que está relacionado com o seu pai, também ele ex-árbitro, e que ocorreu no Estádio da Luz. “Apitei na Luz três dias depois do meu pai falecer e assobiaram no minuto de silêncio”.
O Final Cut estreia mais um episódio imperdível, desta vez com a presença de Artur Soares Dias, um dos árbitros portugueses mais reconhecidos das últimas décadas.
Numa conversa frontal, sem filtros e carregada de memória, o antigo juiz internacional revisita episódios marcantes da sua carreira, partilha reflexões sobre o estado da arbitragem e deixa mensagens fortes sobre o futuro do futebol.
Entre momentos inéditos e revelações pessoais, Soares Dias recorda a relação com jogadores de topo e episódios que marcaram o seu percurso. Sobre Morten Hjulmand, jogador do Sporting, deixa uma história curiosa: “A primeira vez que o Hjulmand tentou… eu disse-lhe: ‘não vale a pena’”, explicando que a relação se manteve sempre respeitosa.
O tema do VAR surge inevitavelmente na conversa. Com a frontalidade que o caracteriza, define-o de forma clara: “O VAR é um Ferrari muito difícil de conduzir”.
Recordando o Mundial de 2018, o primeiro com vídeo-árbitro, assume que a ferramenta exige preparação e critério, num contexto onde a pressão é permanente. “O VAR é a prova da incompetência do árbitro”, acrescenta.
“No meio disto tudo estão a matar o negócio do futebol”
Um dos momentos marcantes do episódio surge quando fala do jogo que apitou no Estádio da Luz poucos dias após a morte do pai. “Apitei na Luz três dias depois do meu pai falecer e assobiaram no minuto de silêncio.”
Curiosamente, foi também no Estádio da Luz que se estreou como árbitro, ao lado do pai Manuel Soares Dias, momento que também guarda com carinho.
Ao longo da conversa, Soares Dias aborda ainda temas estruturais da arbitragem e do futebol moderno. Afirma que “os árbitros não são bem tratados”, e alerta que “no meio disto tudo estão a matar o negócio do futebol”. Reconhece que criou mecanismos de defesa ao longo da carreira — “eu vestia um fato de distância, arrogância e altivez para não chegarem perto de mim”.
Há também espaço para memórias e reconhecimento. “No futebol fiz bingo no boletim”, assume, numa referência ao percurso internacional que culminou com o Europeu aos 45 anos: “Fiz o Europeu com 45 anos e já tinha essa ideia de abandonar.”
Sobre o futuro, deixa uma nota de esperança: “Espero que João Pinheiro represente o nosso país no Mundial.” E não esquece os protagonistas do jogo: “Por norma os jogadores mais chatos são os que deixam mais saudades. Jorge Costa, Rui Costa e Pote, por exemplo.”
Um episódio revelador, disponível no Final Cut, nas várias plataformas da Sports Tailors (YouTube, Spotify e Apple Podcast).
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