Carlos Alberto de Sousa Lopes, nascido a 18 de fevereiro de 1947 em Vildemoinhos, Viseu, é uma figura do desporto português e mundial. É um atleta reconhecido como o maior maratonista da história de Portugal e o homem que inaugurou o palmarés de ouro olímpico português. Se Rosa Mota é figura no atletismo feminino, Carlos Lopes tem idêntico estatuto no masculino.
Da Iinfância humilde à glória Olímpica
O percurso do atleta é um testemunho de resiliência e talento. Antes mesmo de completar 11 anos, já trabalhava como servente de pedreiro. Isto porque queria ajudar no sustento da sua família em Viseu.
A sua entrada no mundo do atletismo não foi planeada, mas sim fruto do destino. Assim, durante uma brincadeira noturna com amigos, Carlos Lopes revelou uma resistência invulgar.
Nesse sentido, estava a nascer um prodígio do atletismo. Sem qualquer preparação, superou facilmente jovens que já praticavam a modalidade de forma regular, evidenciando um dom inato para a corrida.
Depois, despertou a atenção do Sporting e o que se seguiu foi uma vida de leão ao peito e com as cores das quinas.
Em 1967, o potencial de Carlos Lopes levou-o a ingressar no Sporting, instituição que se tornaria a sua casa desportiva.
No corta-mato, Carlos Lopes destacou-se e foi colecionando várias medalhas até que chegaria ao topo internacional.
Antes do ouro olímpico em Los Angeles, Carlos Lopes já tinha gravado o seu nome na história ao conquistar a medalha de prata nos 10.000 metros nos Jogos Olímpicos de Montreal (1976).
Esta medalha de prata serviu como uma espécie de impulso psicológico e competitivo. Assim, o resultado em Montreal alicerçou o caminho para a consagração absoluta como campeão olímpico oito anos mais tarde.
Além disso, ao mesmo tempo, fortalecia uma ligação histórica ao Sporting, que se prolongou por quase duas décadas (até 1986). Nessa altura, Carlos Lopes elevou o clube e o país ao topo do atletismo mundial.
Dele dizem, em Alvalade, que “fazia parar o país fosse a prova em que participava à hora que fosse”.
Ouro olímpico: Aquela data que Portugal não esquece
A 12 de agosto de 1984, Portugal parou para acompanhar a corrida de Los Angeles. Num dia de expectativa absoluta, o país testemunhava um Carlos Lopes a desafiar os limites do corpo e do cronómetro sob um calor intenso.
Na altura, com 37 anos, Carlos Lopes demonstrou frescura física e mental, cruzando a meta com uma vantagem de 200 metros sobre a concorrência.
Assim, tempo fixado de 2h09’21 não lhe deu apenas a vitória. Por outro lado, fixou um novo recorde olímpico que permaneceria intocado durante mais de duas décadas.
Naquele dia, com milhões em Portugal a puxar pelo atleta, Carlos Lopes fixou um pedaço de estrada lusa em Los Angeles e continua a inspirar corredores em todo o Portugal.
“Se as pessoas estavam acordadas para ver a prova às 3h da manhã, significa que acreditavam que era possível eu ser campeão olímpico”, afirmou Carlos Lopes, em declarações ao programa Alta Definição da SIC, em 2025, onde recusou o rótulo de herói nacional.
“Nunca fui nem trabalhei para o ser. Trabalhei para fazer coisas diferentes dos outros, isso é que me faz feliz”, justificou Carlos Lopes, ele que chegou a ser serralheiro e contínuo do Diário Popular, na capital.
Em suma, Carlos Lopes é uma figura fundamental do desporto português e mundial. O seu nome nunca será esquecido onde quer que bata um coração lusitano.
Conquistas mais significativas de Carlos Lopes
Medalhas e Conquistas
Jogos Olímpicos
- Ouro | Los Angeles 1984 — Maratona
- Prata | Montreal 1976 — 10 000 m
Campeonatos Mundiais de Corta-Mato
- Ouro | Chepstow 1976 — Individual
- Ouro | East Rutherford 1984 — Individual
- Ouro | Lisboa 1985 — Individual
- Prata | Düsseldorf 1977 — Individual
- Prata | Gateshead 1983 — Individual
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