Rosa Mota atingiu o topo olímpico a 23 de setembro de 1988, nos Jogos Olímpicos de Seul quando se sagrou campeã olímpica. Foi um momento histórico, pois a nortenha tornou-se a primeira mulher portuguesa a conquistar uma medalha de ouro olímpica. Os 42.195m entraram para a história do desporto português.
Rosa Mota, do Porto para as pistas
Natural da cidade do Porto, a jornada de Rosa Mota no atletismo começou de forma quase espontânea.
Assim, em 1972, movida pela simples vontade de acompanhar os amigos de escola, decidiu participar na sua primeira competição. Rosa Mota entrou numa prova regional de corta-mato.
No entanto, o que começou como um momento de convívio escolar revelou-se um presságio do que estaria para vir. Logo nessa estreia, Rosa Mota cruzou a meta em primeiro lugar.
O gosto pelas corridas estava-lhe no sangue. Porém, no início da década de 80, com pouco mais de 20 anos, Rosa Mota enfrentou o maior obstáculo da sua carreira. A asma, uma condição respiratória severa, quase colocou em causa a sua continuidade no desporto de alta competição,.
Contudo, Rosa Mota conheceu José Pedrosa no Clube de Atletismo do Porto (CAP), um médico que não só tratou a sua condição clínica, como assumiu o papel de seu treinador. Depois de representar o Futebol Clube da Foz e o FC Porto, Rosa Mota chegou ao Clube de Atletismo do Porto.
Trata-se pois de uma viragem estratégica para Rosa Mota. Sob a orientação de José Pedrosa, Rosa Mota reorganizou a sua preparação física e médica para controlar a asma.
Com José Pedrosa, Rosa Mota encontrou o seu espaço ideal no desporto. O treinador fez-lhe ver que devia repensar as suas especialidades na corrida, incentivando-a a apostar em distâncias mais longas. Assim, aí, a sua resistência natural superava a necessidade de explosão (que a asma dificultava).
Ou seja, com esta viragem estratégica, nasceu uma lenda do desporto português. Esta mudança de foco acabou por conduzi-la à mítica maratona, onde viria a tornar-se imbatível.
Uma coleção de medalhas alargada
Rosa Mota foi colecionando medalhas em provas nacionais e internacionais. Venceu várias corridas, mas faltava sempre o ouro olímpico.
Em 1984, a “menina da Foz” (como é carinhosamente apelidada) inscreveu o seu nome na história do desporto mundial nos Jogos Olímpicos de Los Angeles. Numa prova marcada pelo calor intenso da Califórnia, Rosa Mota conquistou a medalha de bronze. Estava sinalizado o que haveria de chegar quatro anos depois.
Rosa Mota alcançou a primeira medalha de sempre por uma mulher portuguesa em Jogos Olímpicos.
Por outro lado, esta medalha chegou na estreia da maratona feminina. Ou seja, o feito ganhava ainda mais relevo por ter acontecido na primeira vez que o Comité Olímpico Internacional incluiu a maratona feminina no programa dos Jogos.
Além disso, enquanto Carlos Lopes conquistou o ouro masculino para Portugal, Rosa Mota abria caminho para as futuras gerações de mulheres atletas em Portugal.
Mas a glória suprema estava reservada para os Jogos Olímpicos seguintes, em Seul.
O dia 23 de setembro de 1988 ficou gravado a ouro na história de Portugal. Foi nesta data que Rosa Mota atingiu o expoente máximo da sua carreira, alcançando a consagração definitiva no maior palco do mundo.
Rosa Mota, a maratona do ouro
Rosa Mota entrou sozinha no Estádio Olímpico de Jamsil, com o seu sorriso característico, cruzando a meta com o tempo de 2:25:40.
A prova foi disputada sob uma humidade altíssima (cerca de 92%) e um sol intenso, o que tornou o percurso ondulado de Seul ainda mais desgastante. Mas nada disso impediu a portuguesa de ‘voar’ para o ouro.
Assim, o ataque decisivo deu-se nos quilómetros finais. Rosa Mota manteve-se num grupo restrito com a australiana Lisa Martin e a alemã (RDA) Katrin Dörre. Contudo, perto do quilómetro 38, Rosa lançou um ataque decisivo numa ligeira subida, isolando-se das adversárias.
Na altura, Rosa Mota angariou 12 segundos de vantagem, que passaram para 14 quando cortou a meta.
Chegou então o momento de glória para Rosa Mota e também para o desporto português no feminino.
Depois da cerimónia, em declarações à RTP, Rosa Mota não escondeu a emoção do momento. “Senti-me sempre bem. Todas as medalhas para Portugal são saborosas. Depoius, quando se ouve o hino…”, admitiu Rosa Mota. Além disso, a portuense destacou que alcançar uma medalha olímpica é algo do país. “Uma medalha para Portugal, uma medalha para todos nós”, resumiu Rosa Maria Correia dos Santos Mota, ela que nasceu a 29 de junho de 1958, na Foz do Douro, no Porto.
Rosa Mota, um palmarés lendário
Rosa Mota é mais do que uma campeã; é o símbolo máximo da resistência e do talento nacional. Dos pódios olímpicos aos recordes mundiais alcançados já depois dos 60 anos, aqui estão os marcos que definem a carreira de Rosa Mota.
Rosa Mota alcançou o feito raro de ser, simultaneamente, campeã Europeia, Mundial e Olímpica. Assim, ajudou a rechear o museu português de medalhas olímpicas.
Com tantas conquistas, é um nome incontornável do país e da cidade do Porto, onde dá nome a um dos pavilhões mais importantes da região.
- Jogos Olímpicos:
- Ouro na Maratona (Seul 1988)
- Bronze na Maratona (Los Angeles 1984) – A primeira medalha feminina de Portugal.
- Campeonatos do Mundo:
- Ouro na Maratona (Roma 1987)
- Campeonatos da Europa:
- Ouro na Maratona (Atenas 1982, Estugarda 1986 e Split 1990) – Um histórico tricampeonato consecutivo.
Além disso, Rosa Mota venceu em quase todas as grandes capitais do mundo, com destaque para a sua relação especial com a mítica prova de Boston.
- Boston: Triunfos em 1987, 1988 e 1990.
- Chicago: Vencedora em 1983 e 1984.
- Londres: Vencedora em 1991.
- Roterdão: (1983), Tóquio (1986) e Osaca (1990).
Títulos nacionais de Rosa Mota
- Corta-Mato: 8 vezes Campeã Nacional.
- Pista: 3 títulos nos 1.500m e 1 título nos 800m.
- Estrada: Duas vezes vice-campeã mundial de 15 km (1984, 1986).
O conteúdo Rosa Mota, a primeira campeã Olímpica portuguesa aparece primeiro em Bancada | Tudo Menos Futebol.

